E a depender de quem será eleito na presidência, matar mulheres será como um esporte de caça para os psicopatas alimentados pela claque da extrema-direita.
O estado de São Paulo registrou um aumento preocupante nos feminicídios em 2026, com 141 casos no primeiro semestre, o maior número desde o início da série histórica em 2018. O interior paulista concentrou 96 ocorrências, quase o dobro da capital (24) e da região metropolitana (21), segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP).
Panorama Regional do Feminicídio em São Paulo (1º semestre de 2026)
| Região | Feminicídios registrados | Variação vs. 2025 | Observações |
|---|---|---|---|
| Interior paulista | 96 casos | +37% | Maior concentração de crimes; destaque negativo para regiões de Bauru, Prudente e Ribeirão Preto. |
| Capital (São Paulo) | 24 casos | -22% | Queda em relação a 2025, mas ainda com alta de 142% comparada a 2022. |
| Grande São Paulo (Demacro) | 21 casos | -22% | Única macrorregião com redução consistente. |
| Total estadual | 141 casos | +10% | Recorde histórico desde 2018. |
Outros indicadores de violência contra mulheres
- Tentativas de homicídio: 372 registros no interior, contra 142 na capital.
- Lesão corporal dolosa: 20.772 casos no interior, mais que o dobro da capital (8.855).
- Estupro consumado: 1.010 ocorrências no interior, 380 na capital.
- Violência psicológica: 2.428 registros no interior, 455 na capital.
Esses dados revelam que o interior paulista lidera em todos os tipos de violência contra mulheres, refletindo vulnerabilidade maior em cidades médias e pequenas, onde a rede de proteção é mais frágil.
Tendências e causas apontadas
- Crescimento contínuo desde 2018: Feminicídios aumentaram 43% entre 2022 e 2026.
- Fatores estruturais: Falta de delegacias especializadas, baixa fiscalização de medidas protetivas e cultura de impunidade.
- Perfil das vítimas: Maioria entre 25 e 45 anos, mortas por parceiros ou ex-companheiros dentro de casa.
- Contexto político: Especialistas apontam que o enfraquecimento de políticas públicas de gênero desde 2019 contribuiu para o avanço da violência.
Resposta institucional
A SSP-SP afirma que o “enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade”, com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 235 salas DDM em delegacias comuns. No entanto, entidades como o Instituto Sou da Paz e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública alertam que a expansão da rede não acompanhou o crescimento dos casos, e faltam recursos humanos e tecnológicos.
💬 Reflexão e próximos passos
O avanço dos feminicídios no interior paulista exige ações coordenadas entre governo, municípios e sociedade civil. É urgente:
- Fortalecer DDMs e políticas de prevenção.
- Ampliar campanhas educativas e canais de denúncia.
- Garantir acolhimento psicológico e jurídico às vítimas.
A Cicatriz Profunda na Sociedade
O aumento dos feminicídios em Marília, em São Paulo e no Brasil não pode ser entendido apenas como estatística. É uma cicatriz profunda que se abriu na sociedade, resultado de uma cultura de ódio às mulheres que ganhou força nos últimos anos.
A gênese da violência
- Discurso misógino: Desde o governo Bolsonaro, houve uma banalização da violência, com falas que relativizaram agressões e enfraqueceram políticas públicas de proteção.
- Normalização do ódio: A retórica política estimulou a guerra dentro das famílias, legitimando comportamentos abusivos e reforçando o machismo estrutural.
- Retrocesso institucional: Cortes em programas de apoio, redução de investimentos em delegacias especializadas e ausência de campanhas educativas criaram um ambiente permissivo para a violência.
A explosão dos feminicídios
- Marília e região: Casos emblemáticos mostram mulheres assassinadas por parceiros ou ex-companheiros, quase sempre dentro de casa.
- Interior paulista: Concentra mais de 70% dos feminicídios do estado, revelando fragilidade da rede de proteção em cidades médias e pequenas.
- Cicatriz social: Cada crime é uma marca que não cicatriza, um trauma coletivo que expõe a falência das instituições em proteger a vida das mulheres.
“Loucura Bolsonarista” incitando o ódio
A “loucura bolsonarista” não se limita ao campo político: ela se infiltrou no cotidiano, estimulando o ódio às mulheres e corroendo os laços familiares. O resultado é uma sociedade marcada por violência, medo e desilusão.
Marília, como tantas cidades, carrega essa cicatriz. E só será possível curá-la com políticas públicas firmes, educação para igualdade e punição exemplar aos agressores. Sem isso, a ferida continuará aberta, sangrando vidas e esperanças.
Em 2026, o Brasil intensificou o combate ao feminicídio com ações nacionais inéditas: o lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio pelos Três Poderes, a criação do Centro Integrado Mulher Segura e a implementação da Política Nacional Vanessa Ricarte pelo Ministério Público do Trabalho. Essas iniciativas buscam enfrentar a crise estrutural da violência contra mulheres com medidas coordenadas, proteção ampliada e responsabilização dos agressores.
Principais Ações Nacionais em 2026
Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio
- Lançado em fevereiro de 2026 pelo Executivo, Legislativo e Judiciário.
- Reconhece a violência contra mulheres como crise estrutural.
- Objetivos: acelerar cumprimento de medidas protetivas, fortalecer redes de enfrentamento, ampliar ações educativas e combater a impunidade.
- Inclui plataforma TodosPorTodas.br com informações, canais de denúncia e guia de políticas públicas.
Centro Integrado Mulher Segura (CIMS)
- Inaugurado em março de 2026 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
- Atua com inteligência, monitoramento e análise de dados sobre violência contra mulheres.
- Resultados da Operação Mulher Segura:
- 21.756 prisões em duas fases (71,9% em flagrante).
- 617 mil atendimentos a vítimas.
- 59 mil policiais mobilizados em 4.379 municípios.
- 14 mil campanhas de conscientização realizadas.
Política Nacional Vanessa Ricarte
- Lançada pelo Ministério Público do Trabalho em agosto de 2026.
- Foco: ambiente de trabalho como rede de proteção.
- Eixos principais:
- Acolhimento de servidoras e trabalhadoras vítimas de violência.
- Capacitação sobre gênero e práticas antidiscriminatórias.
- Reserva de vagas para mulheres vítimas em contratos de serviços.
- Flexibilização de jornada, teletrabalho e proteção de dados para vítimas.
Desafios e Reflexão
- Apesar das ações, o Brasil registrou 741 feminicídios no primeiro semestre de 2026, mostrando que a violência segue em escala alarmante.
- O interior paulista, incluindo Marília, concentra a maioria dos casos, revelando fragilidade da rede de proteção fora das capitais.
- O pacto e as políticas nacionais são passos importantes, mas exigem execução efetiva nos municípios, com delegacias especializadas, casas de acolhimento e campanhas permanentes.


